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segunda-feira, 19 de novembro de 2018
domingo, 18 de novembro de 2018
A ti, que me disseste que as árvores têm uma vida oculta
eu, que não escrevo poemas
sou irmão gémeo dos mortos
das vozes roucas que seguem no sangue
a luz abandonada das raparigas
plantas pensativas no parapeito da vida
e cresço dividido no que não sou
viajante paralisado no instinto de partir -
eu, que não escrevo poemas
sonho com estepes, cavalos, iaques
e veias escancaradas em noites tão escuras
que levam séculos a amanhecer
esfolando lentamente a pele do céu -
eu, que não escrevo poemas
conheço na dureza das paredes
o cinzel de um escultor cego
a espera atenta e poderosa das osgas
a errância de todos os heróis
que atravessam rios no meio de névoas
e logo a seguir caem de bruços
no silvo melancólico de uma espada -
eu, que não escrevo poemas
conheço o castigo das palavras
que dão ordem de expulsão
e deixam solstícios na alma
e um vento febril nas mãos
e que no areal da multidão
assombram os olhos de estranhos fogos
ateados na calada da vida
por incendiários enlouquecidos -
eu, que não escrevo poemas
recito poemas perfeitos
no oceano dos livros que enfrentam o nada
e gravam sinais de vida
no flanco vincado das montanhas
onde vivem como reféns
os que, como eu, não escrevem poemas
2010, José, Irlanda
música
pourquoi j'écoute encore ta voix? pour toujours?
Arthur H & J.L.Trintignant - Le vertige du printemps - (Baba Love)
https://youtu.be/bddxKvX7qxo
eu, que não escrevo poemas
sou irmão gémeo dos mortos
das vozes roucas que seguem no sangue
a luz abandonada das raparigas
plantas pensativas no parapeito da vida
e cresço dividido no que não sou
viajante paralisado no instinto de partir -
eu, que não escrevo poemas
sonho com estepes, cavalos, iaques
e veias escancaradas em noites tão escuras
que levam séculos a amanhecer
esfolando lentamente a pele do céu -
eu, que não escrevo poemas
conheço na dureza das paredes
o cinzel de um escultor cego
a espera atenta e poderosa das osgas
a errância de todos os heróis
que atravessam rios no meio de névoas
e logo a seguir caem de bruços
no silvo melancólico de uma espada -
eu, que não escrevo poemas
conheço o castigo das palavras
que dão ordem de expulsão
e deixam solstícios na alma
e um vento febril nas mãos
e que no areal da multidão
assombram os olhos de estranhos fogos
ateados na calada da vida
por incendiários enlouquecidos -
eu, que não escrevo poemas
recito poemas perfeitos
no oceano dos livros que enfrentam o nada
e gravam sinais de vida
no flanco vincado das montanhas
onde vivem como reféns
os que, como eu, não escrevem poemas
2010, José, Irlanda
música
pourquoi j'écoute encore ta voix? pour toujours?
Arthur H & J.L.Trintignant - Le vertige du printemps - (Baba Love)
https://youtu.be/bddxKvX7qxo
segunda-feira, 4 de julho de 2016
foto josé anamorfoses
Permaneço obscuro
e soletro lentamente cada palavra
como se letra a letra
fosse mais inteligível-
cabalística ambição
de querer desvendar
na anamorfose do mundo
murmúrios de um moribundo
2016, josé
ui, os puristas são uns invejosos
mas aqui vão sinais de que a música é sensualidade
é um corpo aberto de desejos
e não uma robótica: e mesmo essa, por onde andas Sade
que descobriste o prazer do corpo-máquina e aprendeste bem
a lição de La Mettrie.
Mas, como ela disse:"Haut ist mir auch wichtig!"
Berliner Zeitung 12.10.2012
Mas, como ela disse:"Haut ist mir auch wichtig!"
Berliner Zeitung 12.10.2012
sexta-feira, 1 de julho de 2016
foto josé
algures serei luz
entro cada vez mais em casas vazias
e no obstinado rigor da luz
acendo um último desejo
e entre o dia e a noite
para sempre te revejo-
espectro de alguém terei sido
no mudo existir das paredes
este é agora o meu último ofício
pedreiro que aparelha palavras
e lentamente se torna ele próprio pedra
2016
música
Sophie Hunger - Walzer für Niemand
https://youtu.be/ACs9ngTQ6E4
Sophie Hunger Le Vent Nous Portera
https://youtu.be/jNRI8Zc4Reg
https://youtu.be/ACs9ngTQ6E4
Sophie Hunger Le Vent Nous Portera
https://youtu.be/jNRI8Zc4Reg
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