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domingo, 24 de março de 2019

Jean-Paul Sartre, Nida, 1965
Fotografia de Antanas Sutkus, integrando uma série fabulosa também com a Simone de Beauvoir (1939-)

"Toute aventure humaine, quelque singulière qu'elle paraisse, engage l'humanité entière"
Saint Genet, comédien et martyr (1952) de Jean-Paul Sartre

Escolho esta citação deste livro de Sartre porque dos que li, a trilogia da aplicação do método são os que me levaram mais a reflectir. Baudelaire; Saint Genet, comédien et martyr e o incompleto L'Idiot de la famille, sobre Flaubert, são, a par de Les Mots, aqueles que melhor ilustram essa questão incipiente, como todas as questões, que foi apelidada como psicanálise existencial.

Mas, esta fotografia, desde que a conheci, evidencia aquilo que me pareceu ser sempre a contradição fundamental do pensamento sartriano, a dificuldade da relação do indivíduo, pequeno e limitado, e a sua situação, imensa e enorme. Numa das últimas entrevistas que Sartre deu, penso que ao Nouvel Observateur, mas não estou certo e estou sem paciência para verificar, ele reafirma mais uma vez que todo o seu pensamento era um preâmbulo à escrita de uma ética, livro que nunca nos deixou. No entanto, foi deixando algumas frases avulsas como bilhetes perdidos no meio dos livros. Uma, penso que do L'être et le néant, mas não estou seguro e pelas razões já invocadas não me apetece, é a ideia de que o ser humano é responsável, na sua incontornável liberdade, por tudo, pela natureza (claro, parece evidente, pela ecologia e pela bomba atómica), mas ideia dele ia mais longe e, se a memória não me trai, o ser humano era responsável por todos os acontecimentos na e da natureza! Esta ideia, evidente para quem não pode invocar qualquer apocalipse ou escatologia divinos, é uma das ideias que sempre me obcecou, sobretudo inevitável na questão clara da energia atómica enuclear. Quando sabemos que a barragem das Três Gargantas que os chineses construíram vai alterar ligeiramente a velocidade de rotação da terra, parece-me evidente que a ideia de Sartre está cada vez mais actual.
José

música
assim, sem mais
Léo Ferré - Frères Humains (François Villon)
https://youtu.be/S0gLnBL2axM

Foto

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