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Stanley Kubrick, Nazaré, Portugal 1948
Canção
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto
Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
Cecília Meireles (1901-1964)
música
António Zambujo - "Senhora da Nazaré " in Por meu Cante (2004)
Paulo Parreira (guitarra portuguesa), Ricardo Cruz (contrabaixo), João Mário Viegas e Luís Pontes (viola) e António Palma (piano).
https://youtu.be/NtC3J-2irgQ
Stanley Kubrick, Nazaré, Portugal 1948
Canção
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto
Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
Cecília Meireles (1901-1964)
música
António Zambujo - "Senhora da Nazaré " in Por meu Cante (2004)
Paulo Parreira (guitarra portuguesa), Ricardo Cruz (contrabaixo), João Mário Viegas e Luís Pontes (viola) e António Palma (piano).
https://youtu.be/NtC3J-2irgQ

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