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terça-feira, 19 de março de 2019

A Sergei Paradjanov

No mercado de Yerevan
procurei-te na bancada das romãs
na cor rosada de todas as manhãs

uma só me foi dada
e na mão ficou parada
rubra luz do meu espanto
e no lento segredo de cada grão
vi o interior da tua prisão.

No mercado de Yerevan
no afã de cada manhã
esperei extasiado
ter-te a meu lado
e dizer-te em cada palavra
 o arado cansado que em nós lavra.

 É o cinema realidade vã,
prisão corrupta cor abrupta
de uma romã pouco sã?

No mercado de Yerevan
vi romãs encarceradas
em sombras dilaceradas
por desobedecerem à realidade
e serem operárias de belezas torcionárias.



estranho poder o de uma cor
que irrita o poder de um ditador!

josé

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