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série as minhas noites
josé, 2015
eu, que não escrevo poemas
sou irmão gémeo dos mortos
das vozes roucas que seguem no sangue
a luz abandonada das raparigas
plantas pensativas no parapeito da vida
e cresço dividido no que não sou
viajante paralisado no instinto de partir -
eu, que não escrevo poemas
sonho com estepes, cavalos, iaques
e veias escancaradas em noites tão escuras
que levam séculos a amanhecer
esfolando lentamente a pele do céu -
eu, que não escrevo poemas
conheço na dureza das paredes
o cinzel de um escultor cego
a espera atenta e poderosa das osgas
a errância de todos os heróis
que atravessam rios no meio de névoas
e logo a seguir caem de bruços
no silvo melancólico de uma espada -
eu, que não escrevo poemas
conheço o castigo das palavras
que dão ordem de expulsão
e deixam solstícios na alma
e um vento febril nas mãos
e que no areal da multidão
assombram os olhos de estranhos fogos
ateados na calada da vida
por incendiários enlouquecidos -
eu, que não escrevo poemas
recito poemas perfeitos
no oceano dos livros que enfrentam o nada
e gravam sinais de vida
no flanco vincado das montanhas
onde vivem como reféns
os que, como eu, não escrevem poemas
2010, josé
música
Hans Werner Henze: Lieder von einer Insel, for chamber choir & ensemble (1964 - Stuttgart 2016)
(Chorphantasien auf Gedichte von Ingeborg Bachmann, 1964)
For chamber choir, trombone, 2 cellos, double bass, organ, percussion & timpani
I. Schattenfrüchte fallen von den Wänden
II. Wenn du auferstehst
III. Einmal muß das Fest ja kommen
IV. Wenn einer fortgeht
V. Es ist Feuer unter der Erde
SWR Vokalensemble Stuttgart
Ensemble Modern
Marcus Creed
13 April 2016, Evangelische Kirche Stuttgart-Gaisburg
https://youtu.be/QZtT0zOkKtU
série as minhas noites
josé, 2015
eu, que não escrevo poemas
sou irmão gémeo dos mortos
das vozes roucas que seguem no sangue
a luz abandonada das raparigas
plantas pensativas no parapeito da vida
e cresço dividido no que não sou
viajante paralisado no instinto de partir -
eu, que não escrevo poemas
sonho com estepes, cavalos, iaques
e veias escancaradas em noites tão escuras
que levam séculos a amanhecer
esfolando lentamente a pele do céu -
eu, que não escrevo poemas
conheço na dureza das paredes
o cinzel de um escultor cego
a espera atenta e poderosa das osgas
a errância de todos os heróis
que atravessam rios no meio de névoas
e logo a seguir caem de bruços
no silvo melancólico de uma espada -
eu, que não escrevo poemas
conheço o castigo das palavras
que dão ordem de expulsão
e deixam solstícios na alma
e um vento febril nas mãos
e que no areal da multidão
assombram os olhos de estranhos fogos
ateados na calada da vida
por incendiários enlouquecidos -
eu, que não escrevo poemas
recito poemas perfeitos
no oceano dos livros que enfrentam o nada
e gravam sinais de vida
no flanco vincado das montanhas
onde vivem como reféns
os que, como eu, não escrevem poemas
2010, josé
música
Hans Werner Henze: Lieder von einer Insel, for chamber choir & ensemble (1964 - Stuttgart 2016)
(Chorphantasien auf Gedichte von Ingeborg Bachmann, 1964)
For chamber choir, trombone, 2 cellos, double bass, organ, percussion & timpani
I. Schattenfrüchte fallen von den Wänden
II. Wenn du auferstehst
III. Einmal muß das Fest ja kommen
IV. Wenn einer fortgeht
V. Es ist Feuer unter der Erde
SWR Vokalensemble Stuttgart
Ensemble Modern
Marcus Creed
13 April 2016, Evangelische Kirche Stuttgart-Gaisburg
https://youtu.be/QZtT0zOkKtU
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