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série as minhas noites,
josé, 2012
já conheço todos os apocalipses
os que vêm do mar do céu
os que vêm de longe e de perto
os que vêm de dentro e de fora
em sublimes explosões
e que trazem as tripas da realidade agarradas
e nos mostram como somos irreais
os que caem no peso de predregulhos
no mais fundo de nós mesmos
os que dizem em palavras doces, segue-me
cega-me com paraísos e outros delírios
os que nos levam até à cisterna do medo
os que entram na pele como pelagra-
já conheço todos os apocalipses
e nunca nenhuma verdade se me revelou neles
por isso não me falem de realidade
nem do longínquo nem das sensações-
na cirurgia das palavras
eu sou o clorofórmio da anestesia
o que dorme brutalmente nas entranhas
o que escava subterrâneos para entrar na prisão
o que inventa na ponta dos dedos
impressões digitais de um mundo que não existe-
serei não a sereia da morte
dos pobres marinheiros de Ulisses
nem o que atado a um mastro de relâmpagos
regressa a si mesmo depois de andar perdido
mas o desfigurado que todos os espelhos encobrem
para que entre invisível
no olhar cansado dos que verdadeiramente me esperam
2017, josé
música
de um jovem compositor que se está tornar um caso sério da música. alguns concertos a que tenho assistido com as suas composições são fulgurantes
Igor C Silva - Smart-alienation
for small flexible ensemble, electronics and video
This piece is a sarcastic joke about the digital trash that we all have in our computers and smartphones. The percussionist uploads different videos and photos, making the video personalized to the person that is performing the piece.
Commissioned by:
André Dias
João Carlos Pacheco
João Miguel Braga Simões
Manuel Campos
Manu Alcaraz Clemente
Suse Ribeiro
https://youtu.be/2KsapN95BIc
série as minhas noites,
josé, 2012
já conheço todos os apocalipses
os que vêm do mar do céu
os que vêm de longe e de perto
os que vêm de dentro e de fora
em sublimes explosões
e que trazem as tripas da realidade agarradas
e nos mostram como somos irreais
os que caem no peso de predregulhos
no mais fundo de nós mesmos
os que dizem em palavras doces, segue-me
cega-me com paraísos e outros delírios
os que nos levam até à cisterna do medo
os que entram na pele como pelagra-
já conheço todos os apocalipses
e nunca nenhuma verdade se me revelou neles
por isso não me falem de realidade
nem do longínquo nem das sensações-
na cirurgia das palavras
eu sou o clorofórmio da anestesia
o que dorme brutalmente nas entranhas
o que escava subterrâneos para entrar na prisão
o que inventa na ponta dos dedos
impressões digitais de um mundo que não existe-
serei não a sereia da morte
dos pobres marinheiros de Ulisses
nem o que atado a um mastro de relâmpagos
regressa a si mesmo depois de andar perdido
mas o desfigurado que todos os espelhos encobrem
para que entre invisível
no olhar cansado dos que verdadeiramente me esperam
2017, josé
música
de um jovem compositor que se está tornar um caso sério da música. alguns concertos a que tenho assistido com as suas composições são fulgurantes
Igor C Silva - Smart-alienation
for small flexible ensemble, electronics and video
This piece is a sarcastic joke about the digital trash that we all have in our computers and smartphones. The percussionist uploads different videos and photos, making the video personalized to the person that is performing the piece.
Commissioned by:
André Dias
João Carlos Pacheco
João Miguel Braga Simões
Manuel Campos
Manu Alcaraz Clemente
Suse Ribeiro
https://youtu.be/2KsapN95BIc
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