as minhas noites
josé, 2016
Há um mistério insolúvel em cada coisa, como se uma linguagem habitasse na orla do visível. É aí que a fotografia reside: tangente entre o real e o irreal, experiência à beira da alucinação, quando a realidade emigra para longe de si mesma e se torna impacto e cratera de um meteorito a cair na terra. Todas as fotografias são crateras, vestígios de choques entre mundos em rota de colisão e de elisão. Experiências urgentes do perigo que ameaça por dentro a própria realidade, podem parecer à primeira vista redenções e reabilitações, mas não fazem mais do que agravar o que nelas se perde- o irreversível desfigurar do tempo. Sem querer ser demasiado assertivo, porque ainda não o pensei suficientemente, todas as fotografias são matéria a arder, combustão do visível, rescaldo de um incêndio que num suspiro final se apaga e de que só sobram cinzas. Talvez, e só em momentos excepcionais, no meio dessas cinzas ainda brilhe a luz moribunda de uma pequena brasa capaz de voltar a reacender-se, como se a imagem fosse o rastilho de uma mecha de pólvora que na sua explosão de novo há-de iluminar a realidade de que ela é extrema-unção para uma salvação à última da hora, numa emergência de quem pretende salvar corpo e alma ao mesmo tempo.
josé, 2016
música
Maxim Shalygin "From the other side beyond the mirror"
https://youtu.be/qTlH-bLU0R4
josé, 2016
Há um mistério insolúvel em cada coisa, como se uma linguagem habitasse na orla do visível. É aí que a fotografia reside: tangente entre o real e o irreal, experiência à beira da alucinação, quando a realidade emigra para longe de si mesma e se torna impacto e cratera de um meteorito a cair na terra. Todas as fotografias são crateras, vestígios de choques entre mundos em rota de colisão e de elisão. Experiências urgentes do perigo que ameaça por dentro a própria realidade, podem parecer à primeira vista redenções e reabilitações, mas não fazem mais do que agravar o que nelas se perde- o irreversível desfigurar do tempo. Sem querer ser demasiado assertivo, porque ainda não o pensei suficientemente, todas as fotografias são matéria a arder, combustão do visível, rescaldo de um incêndio que num suspiro final se apaga e de que só sobram cinzas. Talvez, e só em momentos excepcionais, no meio dessas cinzas ainda brilhe a luz moribunda de uma pequena brasa capaz de voltar a reacender-se, como se a imagem fosse o rastilho de uma mecha de pólvora que na sua explosão de novo há-de iluminar a realidade de que ela é extrema-unção para uma salvação à última da hora, numa emergência de quem pretende salvar corpo e alma ao mesmo tempo.
josé, 2016
música
Maxim Shalygin "From the other side beyond the mirror"
https://youtu.be/qTlH-bLU0R4
Sem comentários:
Enviar um comentário