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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

as minhas noites
2016, josé

durmo sempre ao contrário-
acordado
no que tenho esquecido
encontrado no que tenho perdido
em cada lado em cada rua
levo cidades ao peito
canto a eito canto desfeito
na minha cabeça
que dentro da tua explode

vivo sempre ao contrário-
o que serei já não o fui
porque só assim em mim flui
a granada explodida
que no mundo reflui-

penso sempre ao contrário-
na aniquilação interior
de ser o exterior dos meus pensamentos
de ter em cada um deles
um mundo eterno a morrer

sinto sempre ao contrário-
não porque sinta mais do que um verme
mas porque um verme me sente a mim
como um verme que eu não sou

digo sempre ao contrário-
e as palavras são pregos
espetados no lado avesso
da dor que há fora de mim-
(excerto)
2016, josé

Luis de Freitas Branco - Paraísos Artificiais
RTE National Symphony Orchestra (maestro Álvaro Cassuto)
https://youtu.be/lH06sjMPgEA
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