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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

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série vórtices
2016, josé


que se rasgue o poema
que no inútil viva
que seja luz túrgida de magma
e nas entranhas do tempo se desfaça-
que entre o sangue e o aço
ponha as palavras em guerra
que não seja bocejo nem baço
que invente e assassine deuses
que denuncie todas as mordaças
e abra veias e rosne como cão vadio
que morde tudo em desvario
mesmo o que o alimenta para ser seu dono-
que arda o poema
na fogueira das palavras
que incendeie o mundo
e nos olhos calcinados
persistam manhãs metálicas-
que seja a vertigem
dos que nada sabem
dos que procuram banquetes
no cansaço lasso da vida-
que o poema seja escravo
e lute até à morte
e apedreje os que mortos
querem que não viva-
que esfole a pele
e recuse todas anestesias-
que o poema saia de si
e se perca para sempre
e entre em todos os precipícios
e diga violentamente
as noites vivem em mim
e dançam esquartejam-me até ao fim-
que o poema
não seja poema
seja um rio selvagem
que galga todas as margens-
que venha e vá
sem saber se vive aqui ou lá
que corra e morra
sem saber o que fazer-
que o poema caia no chão
e em estilhaços seja a granada
de quem sabe que é nada-
2017, josé

música
Raime - Your Cast Will Tire
https://youtu.be/De5s8T1Hnf0
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