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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

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os meus dias, 2014
josé

Alexandre,
o que nomeiam o Grande,
mandou-me medir o seu império
com passos-
no compasso dos meus pés
eu que por mim mesmo passo
levo nos caminhos do mundo
perdidos esquecidos traços-

Bematista sou
e percorro o universo
em todos os passos que dou-
só assim sei
por onde passei
rente ao chão rente ao céu
e os meus pés foram erva
névoa geada
respiração gelada
e vida cansada
num estranho labor-

na imensa luz dos desertos
nos mares de água e areia
estupefacto me interroguei:
sou eu que meço o mundo
medindo-me a mim
ou é o mundo que me mede sem fim?

Alexandre,
o que nomeiam o Grande,
mostrou-me quão pequeno sou
perdido nos passos que dou
até à exaustão de todos os impérios-
acabarei alguma vez de medir
os caminhos por onde vou?
Regressarei alguma vez
à tenda real donde saí
e à terra deitada das estepes
onde cavalos voam
nas crinas do vento?

Há muito perdi
a conta dos passos que dei-
os números são irreais
na minha cabeça atordoada-
bematista fui
e o império acabou-
se virem Alexandre,
o que nomeiam o Grande,
digam-lhe que me perdi
e que levo nos meus passos
por medir todos os fracassos-
2016, José

música
Kentin Jivek - Dans Le Salon Des Oubliés
https://youtu.be/fIaez-24iSE
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