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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

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o mutismo das pedras
2015, josé

Eu que já não sei sentar-me
na bancada do vazio
vejo na tua solidão
o cutelo trágico da vida-
no anfiteatro do esquecimento
somos ambos sombras de um tempo
resíduos intemporais de ter sido-
espectadores um do outro
vemo-nos na nudez que nos cobre
e nesse coro misterioso
que habita todas as tragédias-
talvez cantemos agora
a última lucidez do sol
deus que para sempre nos deixou
num mundo que há-de ser sem nós-
aqui em baixo vejo-te
como o último espectador a abandonar a vida-
eu, actor que fui mais espectador
e tu, espectador que foste mais actor
ambos perdidos no que somos no que fomos
ambos florestas de sombras e palavras
vimos descer o furor dionisíaco
o clamor das multidões inebriadas
nas veias trágicas da vida-

agora somos isto
pedintes envergonhados da esmola
e entre mim e ti
uma bancada de fantasmas aplaudindo-
2016, josé

música


Guillaume Lekeu (1870-1894) "Molto adagio for String-Quartet"
Ensemble Musique Oblique
"Mon ame est triste jusqu'à la mort"
Como é que aos 17 anos se pode arrancar da escuridão da alma tamanha beleza?
https://youtu.be/3ru-jbPYsSs
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