PHoto
two lights/colours in the fog
josé
Outros estão em mim como hóspedes
e caminham devagar na tristeza da terra,
a cada passo desmaiam belos
iniciando nas lágrimas o cerco da noite:
virá deles o cansaço dos deuses,
a inspiração ácida das vozes,
a sábia confusão da chuva-
levam um retrato sombrio nos olhos
e a vocação inocente dos afogados
que conhecem profundamente os rios
Quantas vezes hão-de ignorar
a litoral paisagem das nuvens,
a enxuta realidade das casas?
Ou o fausto anónimo dos espelhos
onde são mágicos a desaparecer?
Fosse o que escrevo granito
e amá-los-ia devagar por dentro
no alfabeto iluminado das janelas
onde estão tão estranhos tão debruçados.
O que os decide à coragem, à pontual hora de ser estátua?
Outros estão em mim como eu
e sou outro por ser só no fim
o que me sonha sem mim.
josé
música
Akira Ifukube: Chant de la Sérinde (1997)
https://youtu.be/ApXJxMp_HmA
two lights/colours in the fog
josé
Outros estão em mim como hóspedes
e caminham devagar na tristeza da terra,
a cada passo desmaiam belos
iniciando nas lágrimas o cerco da noite:
virá deles o cansaço dos deuses,
a inspiração ácida das vozes,
a sábia confusão da chuva-
levam um retrato sombrio nos olhos
e a vocação inocente dos afogados
que conhecem profundamente os rios
Quantas vezes hão-de ignorar
a litoral paisagem das nuvens,
a enxuta realidade das casas?
Ou o fausto anónimo dos espelhos
onde são mágicos a desaparecer?
Fosse o que escrevo granito
e amá-los-ia devagar por dentro
no alfabeto iluminado das janelas
onde estão tão estranhos tão debruçados.
O que os decide à coragem, à pontual hora de ser estátua?
Outros estão em mim como eu
e sou outro por ser só no fim
o que me sonha sem mim.
josé
música
Akira Ifukube: Chant de la Sérinde (1997)
https://youtu.be/ApXJxMp_HmA
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