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sábado, 15 de dezembro de 2018

fotografia
série
breviário nocturno
2016, josé


há na geometria
uma estranha solidão
a solidão das linhas
que rente ao céu ou ao chão
encurvam na perfeição
como compasso iluminado
o pássaro que tens na mão
e que voa parado
num paradoxo alado-
só com palavras mortas
nos frios corredores de teoremas
e tempos que são morgues
os olhos sobem as paredes
como pássaros cansados
como rectas anestesiadas
que são a distância mais curta
entre ser nada e nada ser-
há na geometria
o silêncio congelado dos deuses
a amnésia densa das rochas
a geologia fria dos cristais
que em polígonos quilogonais
se desvanecem como os demais-
e no centro de tudo,
no meu esforço cusiano
de dizer o círculo iluminado
onde estou e não estou
eu que faço batota comigo mesmo
e tenho nas mangas
cartas e braços viciados,
está um mero castelo de cartas
bluff de quem sonha todas as distâncias
e na geometria desfocada do pensamento
abre ziguezagues na mente
e semeia sombras nos seus passos-
2017, josé

música
Les yeux clos
Toru Takemitsu, Complete piano works by Roger Woodward
https://youtu.be/t1feHf2tdqw
Foto

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