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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

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série
o silêncio dos manequins
josé


Aonde nos guia o corpo despido
Que vem como salmão contra corrente
Até à luz do nascimento?
É ele estranha migração
No sonho rude do tempo
Que a tudo prende e logo escapa?

Aonde nos guia a flecha alada das aves
Misteriosos adornos de luz e fogo
Que conhecem nas nuvens
Suaves púbis dos céus?

Aonde nos guiam as palavras
Ao futuro sem passado
Ou à estranha melancolia dos navios?

Aonde nos guia a hora perdida dos deuses
Que vêm em chamas num galope de dor
Esventrar alma e coração sem piedade?

Aonde nos guiam as mãos mirradas
Migalhas abandonadas de um corpo opulento
Mas tão cego e vazio do seu amanhã?

Aonde nos guia a tristeza cansada dos mineiros
De pulmões paralisados e doentes
Que abrem no sono sombrias galerias
E acendem cigarros como rastilhos
De um outro tempo de uma outra vida?

Aonde nos guia a memória
bengala de cego a tinir no vazio do tempo?

Aonde nos guiam as imagens
na anestesia íntima de tudo esquecermos
de tudo arrancarmos como sonho cariado?
2016, josé

música
in memoriam
Madredeus - Pregão
https://youtu.be/XZpNzhQ8h1Q
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