nada poderei dizer das noites em que não te vejo
em que espero passageiros de um comboio
chegado de lado nenhum-
estou assim na estação
de braços abertos e olhos fechados
e tu passas por mim
e perguntas-me desorientada
o comboio que vai para o porto
e eu navego nas tuas palavras
barco desesperado de ao porto querer chegar-
nada poderei dizer das noites em que vens
e escreves com o teu dedo
a tinta luminosa do que sinto-
e saímos entrando no mundo
dançando levemente no mistério
inventando histórias que ninguém conhece
e como num sonho já não conseguimos despertar-
tu dizes "olhemos o invísivel
o que dorme escuro dentro de nós
os sinais irreconhecíveis do que desejamos"
e descemos como se vivêssemos numa cave
e eu, obreiro humilde de imagens
fotografo o cansaço da noite
e os sinais alienígenas de um outro planeta-
e anti-somos o que somos
e tu dizes na tua voz-foz
"quero ser todas as sombras
para que me conheças"
ah, como sei inventar a tua partida
no comboio vazio das ilusões
que pára em todas as estações e apeadeiros
onde fantasmas esperam passageiros-
era isto que querias: uma fotografia
que numa sigla te escondia
o resto é a última inocência
de quem desagua na nascente-
josé....
música
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