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segunda-feira, 27 de junho de 2016

fotografia josé IN

regresso inóspito ao meu corpo
como se o tivesse abandonado para sempre
e trouxesse arrependimento em cada passo
e houvesse em mim um colapso 
uma hemorragia de luz-

mas ainda não é isto a salvação
nem a névoa que habita as palavras
nem a lucidez cintilante das lâminas
que desenham feridas até à exaustão

só certamente o pedido a lamúria
de quem se enganou no caminho
e que sabe como podia regressar
e ir até às estrelas sem parar
e respirar a luz marinha das tardes
como quem se despe na intimidade
e abre devagar as veias do sonho
para ter a certeza de acordar-

para poder finalmente sentar-se na cadeira
e deixar que as sombras o levem
num véu ligeiro de realidade e de piedade
2016


música
La Musgaña - Las Inviernas https://youtu.be/PQgu8zEkiXY




domingo, 26 de junho de 2016






Fotografia
a frágil resistência
irlanda, josé



pode ser que a vida
se faça de paisagens perdidas
e ruínas sem sentido-

o resto são cataclismos previsíveis
e o desejo de olhar até ficar cego
2016

música
In the Alps, Richard Ayres
- NBE & Barbara Hannigan
https://youtu.be/ENrqPKy-X9c




sábado, 25 de junho de 2016



esta é a última fábula
a de quem diz inanimado
que em cada porta
há um sonho  que nos exporta
e uma dor que nos deporta-

2016


música
Black Prairie - "Rock of Ages"
from  A TEAR IN THE EYE IS A WOUND IN THE HEART
https://youtu.be/3fyL-gfchZQ

foto, je

nada poderei dizer das noites em que não te vejo
em que espero passageiros de um comboio
chegado de lado nenhum-

estou assim na estação
de braços abertos e olhos fechados
e tu passas por mim
e perguntas-me desorientada
o comboio que vai para o porto
e eu navego nas tuas palavras
barco desesperado de ao porto querer chegar-

nada poderei dizer das noites em que vens
e escreves com o teu dedo 
a tinta luminosa do que sinto-

e saímos entrando no mundo
dançando levemente no mistério
inventando histórias que ninguém conhece
e como num sonho já não conseguimos despertar-

tu dizes "olhemos o invísivel
o que dorme escuro dentro de nós
os sinais irreconhecíveis do que desejamos"

e descemos como se vivêssemos numa cave
e eu, obreiro humilde de imagens
fotografo o cansaço da noite
e os sinais alienígenas de um outro planeta-

e anti-somos o que somos

e tu dizes na tua voz-foz
"quero ser todas as sombras
para que me conheças"

ah, como sei inventar a tua partida
no comboio vazio das ilusões
que pára em todas as estações e apeadeiros
onde fantasmas esperam  passageiros-

era isto que querias: uma fotografia
que numa sigla te escondia

o resto é a última inocência
de quem desagua na nascente-

josé....



música
Black Prairie - "How Do You Ruin Me"
https://youtu.be/sOq4LoDW6Vk



sábado, 18 de junho de 2016

foto josé munique 


In memoriam

Para P, M, P e AA

Tinha a biografia curta dos internados
e o que nela constava era inocente como sombra.
O massacre era dormir em cama trocada
e tomar remédios insólitos para a salvação final,
de olhar desabrigado pedinte de outras soluções,
sabendo que se está sepultado em lençóis urinados
como quem já não tem corpo e vida próprias.


Tinha o futuro pronto mas logo o esqueceu:
o que lhe disseram era mais perfeito
e soava a chantagem.
Pensou:"sejamos mais uma vez a dádiva
pois estaremos esmagados nas paredes
em cada dia sem idade."

Vinham visitá-lo pela tarde lembrar-lhe a solidão
e o contágio precário do medo.
Eles iam ele ficava era esta a sua última vitória.

Tudo o mais era perfeitamente previsível
na bastarda confusão do sangue
que pára e fica sem lugar.
josé



para que doa!
Η ΦΛΕΡΥ ΝΤΑΝΤΩΝΑΚΗ ΣΤΑ ΛΕΙΤΟΥΡΓΙΚΑ ΤΟΥ ΜΑΝΟΥ ΧΑΤΖΙΔΑΚΙ
https://youtu.be/W4vdDauWXSw


Estremeço
e balbucio:
as palavras são pestanas
de olhos atordoados.
j.


foto j madrid sahagun


Rupa & The April Fishes - Maintenant

quinta-feira, 16 de junho de 2016

foto j, estefânea

on dirait toutes les sources
qui viennent dans ta bouche
silence d'un vol infini
mirage d'un ciel tombé dans tes yeux

ce qu'on écoute c'est la pulsation de la terre
le cri étouffé de ton âme arrachée crévée

on s'envole pour mieux comprendre
on prend le train perdu de la vie
comme une étoile forgée forcenée
dans la danse galactique de ton ciel

c'est seulement ton rêve qui habille mon corps
et mon désir d' avoir des ailes
pour mieux t'embracer t'embraser

je connais les lieux oubliés de ta vie
le lit acharné des robes qui te dressent
et te déposent dans l'horizon de la nuit
comme une étincelle pulsant sans repos

je connais le miroir invisible de tes mains
pigeons voyageurs de mon éspoir.

aveugle
je  chante
pour te voir
pour trouver le fleuve de ta naissance
pour être ta voix
qui dedans moi dépose
les gouttes inébriantes du miel
pour être un dieux mort dans tes bras.
2015 josé



Música
Un poème sonore de Rodolphe Burger (guitare, chant), avec Julien Perraudeau (basse, clavier), Mehdi Haddab (oud), Yves Dormoy (électro, clarinette), Ruth Rosenthal (chant) & Rayess Bek (chant)

Cette pièce, issue d'un spectacle créé en mars 2010 sur le plateau du Théâtre Molière à Sète, est un double hommage rendu à Alain Bashung et à Mahmoud Darwich, une mise en miroir de deux chants d'amour.

Celle-ci est la deuxième partie, une nouvelle création musicale à partir du poème S'envolent les colombes de Mahmoud Darwish, poète palestinien.

https://youtu.be/i3Vg0ckIBUA


sábado, 11 de junho de 2016






sonhei ser assim

sombra selvagem

insónia tropel

de viver sempre à flor da pele




sonhei ser assim

instante gelado 

do que nunca vivi.

2016, 



2016, munique, josé


música
The Tiger Lillies - Maria
https://youtu.be/Z_-aYFTs3E4